Joilto (esquerda) e Dodozinho: conversa sobre o quê?

Uma conversa, no meio da praça da Prefeitura, para ninguém dizer que foi oculta, envolveu os ex-presidentes do Boi Bumbá Caprichoso Joilto Azedo (esquerda) e Dodozinho Carvalho. Os dois pareciam estar enviando uma mensagem para a cidade.Talvez fosse uma mensagem de união; talvez de desprendimento; quem sabe de desafio?; ou, talvez,  um encontro casual entre dois parintinenses, que amam o Festival Folclórico e o Caprichoso, raramente têm essa oportunidade e não quiseram desperdiçá-la, mesmo diante de todas as fofocas que pudessem advir dali.

Joilto e Dodó foram os presidentes que estruturaram o Caprichoso. Joilto construiu e organizou o curral Zeca Chibelão e os primeiros galpões; Dodó consolidou as finanças e estabeleceu o armazenamento de produtos a serem usados nos anos seguintes, negociando item por item da matéria-prima necessária à apresentação.

Ambos foram presidentes honestos, que não entraram pelos desvãos da picuinha, da mesquinharia, do farinha-pouca-meu-pirão-primeiro. Exercitaram a máxima de que “a mulher de César não precisa apenas ser honesta, mas parecer honesta”, evitando dar margem a comentários maldosos.

O Caprichoso, agora que Carmona Oliveira terá que deixar a presidência, por força do estatuto, precisa refletir sobre a sucessão dele. Nada melhor que os dois principais concorrentes ao cargo se encontrem, conversem e pensem sobre o que é melhor para o bumbá.

Algumas idéias:

1) Abram o concurso de toadas. Por que limitar a criatividade dos artistas, oferecendo para alguns poucos o instrumental teórico das apresentações (boi de arena) e deixando os outros a ver navios, limitados ao “boi genérico”?

2) Abram o concurso de toadas para admitir os melhores. Façam uma seleção prévia, na qual não será necessário pré-produção, estúdio, essas coisas caras às quais nossos caboclos mais humildes (e criativos!), de onde vem a força do boi, não têm acesso;

3) Parem com essa bobagem de “só pode ser presidente quem morar em Parintins por tantos e quantos anos”. Ora, se a questão é não permitir o absurdo de o poder financeiro interferir no processo, então basta limitar com um “o presidente do bumbá terá que dar expediente, de pelo menos duas horas, pelo menos três vezes por semana, na sede do bumbá”. E o resto fica por conta da responsabilidade de cada um;

4) Impeçam, por estatuto, lei ou simancol, que membro de comissão julgadora das toadas seja parente de quem tenha composição concorrendo; essa grave distorção está entupindo os CDs do bumbá de composições menores, digamos, para não ofender ninguém; e colocando gente muito boa, com grande contribuição dada ao bumbá, em xeque;

5) Presidente de Comissão Julgadora tem que entender de música; ok, isso é subjetivo; vamos ser mais claros: tem que ser um compositor que não esteja concorrendo ou um maestro ou alguém que toque bem um instrumento; não pode ser leigo; a organização dos trabalhos será da diretoria do bumbá (emissão de convites, preparação do salão, contratação do som etc.) e não desse presidente, a quem caberá escolher TODOS os demais membros;

6) Diretor da Comissão de Arte tem que estudar; escolhe-se logo após o Festival, em julho, e essa pessoa terá que ter tempo para se dedicar a fazer cursos com antropólogos, diretores de teatro (cursos rápidos, de fim de semana, existem aos milhares, no RJ e SP, por exemplo), cenógrafos etc. etc. etc. Logo após cada curso reunirá com os artistas do bumbá, com contrato assinado para o ano seguinte, repassando as informações que colheu;

Por que estou dando todas essas sugestões em aberto? Porque sei o quanto custou construir o Festival Folclórico. E meu sofrimento com as deformações é compartilhado por muita gente de bem e com voto no nosso bumbá e no Garantido.

PS: Solange Jucá, não estou nem um pouco curioso sobre o que você ouviu dessa conversa (viram como ela está olhando para o outro lado, na foto, totalmente desinteressada?), mas a gente podia conversar depois? Me liga, tá?