Morre o padre Marcelo, um homem com o dom da palavra e do bem
Chego à TV Ajuricaba, em cima da hora, naquela corrida de sair da Ufam, no Japiim, passar na rádio Ajuricaba e entrar no estúdio da TV para gravar o Bom Dia Manaus, no Santo Antonio. Faz tempo, eu sei, mas lembro nitidamente da pauta com “o padre do Pro-Menor Dom Bosco”. Peguei as referências, começamos a gravar e fiquei boquiaberto com o jeito como ele usava as palavras. Tinha, nitidamente, o chamado dom da palavra.
Padre Marcelo envolvia. Sensibilizava. Transmitia no olhar e nos gestos a sensação de um combate, um ultimate fighting, uma luta indormida contra as injustiças. Falava do sofrimento das crianças, dos porcos que criava para alimentá-las e da miséria que encontrava em seu trabalho missionário.
Isso foi por volta de 1986-1987. Lá se vão quase três décadas. E a imagem do padre Marcelo permanece nítida em mim, por essas e tantas outras entrevistas que fiz com ele naquele período e o acompanhamento próximo de seu trabalho.
“Padre Marcelo foi hospitalizado há 20 dias, ao sofrer traumatismo craniano. Ele tinha 76 anos e fez muito pelas crianças de Manaus”, escreveu o vereador Homero de Miranda Leão, no Twitter. “Meu amigo”, acrescenta.
Não tive tanta intimidade, mas o contato com o trabalho de Padre Marcelo me leva a afirmar que usou a amizade íntima com as palavras para tornar-se amigos dos necessitados. E isso o fez tornar-se íntimo de Deus, que a esta altura o deve estar recebendo de braços abertos.
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