• 5 de julho de 2011
    Fatores externos podem influenciar desenvolvimento de autismo, mostram pesquisas

    O Globo

    RIO – Fatores ambientais podem desempenhar um papel mais importante do que se pensava no desenvolvimento do autismo, desviando as atenções dos especialistas dos fatores puramente genéticos, sugerem dois estudos publicados na última segunda-feira.

    Em um deles, uma equipe da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, comparou casos de autismo em gêmeos idênticos e fraternos – que dividem apenas metade dos mesmos genes – e descobriram que esses últimos geralmente têm altas taxas de autismo, indicando que outros fatores, além dos genéticos, podem desencadear a doença.

    Em outro, pesquisadores do plano de saúde americano Kaiser Permanente descobriram que mães de crianças com autismo são duas vezes mais propensas a terem tomado um antidepressivo específico no ano anterior à gestação do que mães de filhos saudáveis. E o risco era ainda maior – um aumento de três vezes – quando o remédio tinha sido tomado no primeiro trimestre da gravidez.

    As descobertas, publicadas na revista “Archives of General Psychiatry”, sugerem que algo no contexto do nascimento – remédios, químicas ou infecções – podem desencadear o autismo em crianças que já têm predisposição genética para desenvolver a doença.

    “Foi estabelecido que fatores genéticos contribuem para o risco de autismo” afirmou em comunicado Clara Lajonchere, coautora do estudo e vice-presidente de programas clínicos da organização Autism Speaks. “Nós agora temos fortes evidências de que, com a hereditariedade genética, um ambiente pré-natal pode ter um papel maior do que se imaginava no desenvolvimento da doença”.

    Autismo é um espectro de desordens que vão desde uma profunda incapacidade de se comunicar e retardo mental a sintomas relativamente leves, como a síndrome de Asperger. Ele afeta uma em cada 150 crianças nascidas nos Estados Unidos, ou cerca de 1% da população.

    O estudo na Stanford envolveu 54 pares de gêmeos idênticos, que dividem 100% dos mesmos genes, e 138 pares de gêmeos fraternos, que dividem metade dos genes. Em cada par, ao menos um dos genes foi diagnosticado com autismo.

    Os pesquisadores descobriram que as chances de as duas crianças terem doenças do espectro do autismo era maior entre gêmeos fraternos. De acordo com o estudo, fatores externos comuns a gêmeos explicam cerca de 55% dos casos de autismo, e enquanto fatores genéticos ainda têm influência, seu papel é muito menor que o visto em outros estudos de gêmeos e autismo.

    Em um estudo separado, uma equipe liderada por Lisa Croen, diretora do Programa de Pesquisa de Autismo na Divisão de Pesquisas do Kaiser Permanente, em Oakland, Califórnia, avaliou se antidepressivos conhecidos como inibidores seletivos da recaptação da serotonina, ou ISRS, na sigla em inglês, contribuem para o risco de autismo.

    O grupo estudou cerca de 300 crianças com autismo e 1500 selecionadas aleatoriamente e depois checou o histórico de medicamentos de suas mães. Os cientistas descobriram que as mães de crianças com autismo eram duas vezes mais propensas a terem tomado um antidepressivo um ano antes da gravidez do que as mães dos voluntários saudáveis.

    E o efeito foi mais forte – três vezes maior – quando os remédios foram tomados no primeiro trimestre da gravidez.

    “Nossos resultados sugerem um possível, embora pequeno, risco associado à exposição no útero aos SSRIs”, afirmou em nota.

    Mas ela diz que esse risco deve ser balanceado com o perigo de a mãe não ter tratado uma depressão.

    .

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  • 26 de março de 2011
    Faça como o Ruy. Use cinto de segurança!

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  • 25 de fevereiro de 2011
    Chutando o pau da barraca!

    Queridos seguidores, hoje e nos dias que virão estarei fazendo jus ao nome deste blog. Irei postar uma seqüência de fotos do Ruy que refletem o dia-dia dele. Espero que gostem, o Ruy está lindo em todos os clicks.

    Eu estou muito orgulhosa do meu menino. Ele está se tornando um rapaz,  um autista lapidado. Cada dia mais independente e vocês irão confirmar isso ao ver as fotos.

    Estou contente também com o rumo que este blog está tomando. Antes, era uma válvula de escape para minhas angústias de conviver com um autista, mas também um canal de informação sobre este tema obscuro e complexo. Quando comecei as publicações, os acessos eram limitados, o tema é restrito, e eu sentia muita vontade de liberar o que estava preso na alma. Mas aos poucos os acessos foram aumentando e ficou comum alguém me parar no supermercado, na escola dos meninos,  nos locais públicos, e me dizer que acompanha o “Diário de um autista”. Achei tão engraçado quando uma mãe de autista me parou e disse: “As vezes acho que você tem câmeras escondidas na minha casa, você retrata minha vida e as vezes escreve frases que eu falo durante o dia, sabe o Big Brother?!”

    Bom, em contrapartida uma janela se abre para nossa vida. Aqui mora o perigo! Pensei muito antes de publicar essas fotos do Ruy. Com a proporção que esse blog cresce, das duas uma: ou o blog acaba ou “chuto o pau da barraca”. E como não quero acabar com o blog, pois há um movimento muito mais grandioso por trás das histórias de um simples menino autista, então só me resta “chutar o pau da barraca”.

    Sei que vou expor um pouco  o Ruyzinho, mas este post foi feito com todo carinho e com o mais puro sentimento que uma mãe possui.  É dedicado a todas as pessoas que se inspiram com a experiência de vida da nossa família e adaptam melhorias para realidade de outros autistas.

    RUY PELA MANHÃ: uma mistura de ABVD ( Atividade Básica da Vida Diária) e Intervenções.

    Ruy, hora de acordar! são 7:30

    Tomando banho. Ainda é preciso falar as etapas do banho. Liga o chuveiro, passa a bucha, passa o xampu, etc. Mas é assim mesmo, um dia ele vai tomar banho só.

    Ruy adora comer pasta, é preciso ficar de olho! Mas o legal é que ele escova sozinho.

    Vestir a cueca foi difícil pro Ruy, pois quando ele subia a cueca, ela enrolava. Agora olha como ele põe direitinho!

    Curiosidade: Eu tenho o hábito de arrumar as roupas por cor. Ruy, já escolhe sua roupa. Ele escolhe suas blusas por cor. Vejam que ele elegeu uma camisa branca, saibam que a próxima será amarela, depois vermelha e assim por diante, conforme a organização no armário.

    Vestindo a camiseta. Observação: Ruy também abotoa camisas de botão muito bem.

    Escolhendo o short

    Vestindo o short

    Escolhendo sapato. Esperto você! de velcro, né!? Ruy está treinando ainda calçar sapatos de cadarço.

    Olha que bonitinho!

    Olha como ele olha no espelho! Super vaidoso!

    Passando perfume

    Com a mochila nas costas

    Ele desce a escada

    Tomas algumas vitaminas

    Dica: treinar com bala tic-tac. Antes, eu tirava tudo das cápsulas misturava e dava no suco. Esqueci a foto, mas antes de sair de casa Ruy como uma fruta, o que chamamos de doce saudável, nesta hora ele está muito sonolento, ainda, e por isso não toma seu café da manhã direito.

    Estamos prontos para sair de casa. Deve ser 7:45.

    No carro, Ruy aproveita e deita

    Chegamos na primeira atividade do Ruy, aula com a psicopedagoga. É a atividade mais puxada do dia, por isso optei em ser a primeira.

    Esta é a psicopedagoga: professora Ivete.

    A professora chega e diz: Bom dia, Ruy! Vamos!

    Antes de entrar na sala de aula, Ruy sempre dá uma parada para beber água.

    Esperando a tarefa. Detalhe: Ruy segura uma revista que é distribuída pela Editora Saraiva, dentro há muitas imagens de DVD's, a paixão número 1 do Ruy.

    Olhando a revista. Deve ser 8 horas.

    Fazendo atividade. Esta é de ciências. raiz, caule, folha, flor e fruto.

    Recebendo explicação da professora. Colando folhas.

    Analisando o fruto, este é o cacau.

    Terminado os exercícios, mais ou menos 4 atividades, ele vai tomar café. Deve ser 9 horas.

    Antes de comer, lavar a... ( então o Ruy responde). MÃO.

    Um sorriso pra foto

    E aparece no refeitório, outro Rui, este com I, o irmão do Ronaldo.Ruy tira foto com o tio seu xará.

    Descanso para ver seus filmes no youtube.

    Alguns exercícios de boca

    Algumas estimulações sesoriais

    Ruy chega em casa, deve ser 11 horas

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  • 23 de fevereiro de 2011
    Pedagoga é suspeita de ameaçar aluno de 7 anos no Paraná

    Segundo a polícia, a mulher mandava cartas anônimas para o pai do aluno.
    Nas cartas, ela pedia R$ 200 mil para que nada acontecesse com o menino.

    Do G1 PR, com informações da RPC TV Maringá

    Uma pedagoga foi indiciada pelo crime de extorsão, na tarde de terça-feira (22), em Campo Mourão, região Central do Paraná. De acordo com a Polícia Civil, a mulher de 35 anos mandava cartas anônimas para o pai de um aluno, ameaçando de sequestro e execução da criança. Nas cartas, ela pedia R$ 200 mil para que nada acontecesse com o menino.

    O delegado José Jacovoz informou que a pedagoga dava aulas particulares para a criança. O menino tem 7 anos e é autista. Durante as investigações, os policiais achavam que o autor das cartas era alguém próximo da família. Segundo a polícia, ela confessou o crime após a apresentação do resultado de um exame grafotécnico, no qual foi comprovado que a letra que estava no envelope era da pedagoga.

    A pedagoga foi indiciada pelo crime de extorsão e o delegado investiga se outras pessoas estariam envolvidas na ação.

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  • 22 de fevereiro de 2011
    Não recomendo Pizzaria Carluccio – Manaus

    Senhores Empresários,

    Não moramos em uma província. Trate-nos com o devido respeito. É preciso saber servir para ter a fidelidade dos clientes. E não esqueçam que a melhor propaganda é o “boca a boca”. Não é a primeira vez que alguém se queixa prá mim da Pizzaria Carluccio. Recebi este e-mail e publico com muito gosto.

    Kiê Hara Tiradentes

     

    Segue e-mail:

    Bom dia a todos,

    Não pensem que é uma corrente, este é um sincero desabafo de uma mãe com a dor de não poder ter feito nada por seu filho e a decepção de uma cliente desrespeitada pela administração da casa.

    Na sexta-feira, 18.02.11 resolvemos ir até a Pizzaria (eu, meu esposo e meu filho) para comer pizza e como a maioria dos pais que tem filhos, estávamos em busca de um local que possuísse uma brinquedo teca para que nosso filho de 3 anos de idade pudesse brincar e se divertir. Chamamos também minha prima que foi com o esposo e suas duas filhas. Como era sexta-feira e estávamos um pouco cansados do dia inteiro de trabalho, pensamos em algo próximo de nossa Casa e a escolha foi a pizzaria CARLUCCIO (próx ao porão do alemão, Estrada Ponta Negra, 6089.)

    Nosso filho foi para a brinquedoteca e ficou lá por um tempo brincando normalmente, comeu pizza conosco e depois voltou para brincar. Em certo momento, meu filho saiu gritando da sala bem alto e chorando muito dizendo que a moça bateu nele (mostrando o seu braço)e as palavras dele foram exatamente essas. Sendo que ele chorava MUITO (com “saltos na respiração”) como nunca houvera antes. Imediatamente fui até a monitora e ela disse que nem estava olhando pra ele e que não sabia porque ele estava chorando. Mas ele chorava muito e repetia pra ela diversas vezes ‘’– Foi sim, você me bateu, chorando muito e gritando, de tão assustado que ele estava. Como o comportamento dele me assustou muito, pois NUNCA havia visto o meu filho assim, já não tinha a menor dúvida do que havia ocorrido.

    Chamei então a gerencia da pizzaria, depois de alguns minutos apareceu uma moça sem farda nem crachá/identificação, perguntei se ela era gerente e ela disse que sim. Expliquei tudo que aconteceu para ela e pedi que ela voltasse a fita da filmagem da sala, pois tinha uma câmera dentro da brinquedoteca. Ela disse que solicitaria do filho da proprietária e que conseguiríamos com certeza ver a fita. No geral, a mesma não deu a devida importância e a momento algum pediu desculpas pelo ocorrido. Ela informou que a moça estava lá somente a três meses e que vinha de outra pizzaria. Fiquei por mais 20 minutos no local e não tivemos retorno. Nosso filho pediu autorização para retornar na brinquedoteca e permitimos, ficando em plena observação. Claro, trata-se de uma criança inocente que só queria brincar com a prima que também estava no local.

    Ao sair, informei à gerente que estava indo deixar meu filho em casa com meu esposo e voltaria para ver a fita e ela me encaminhou então para o lado externo da pizzaria para falar com o filho da proprietária. O mesmo permaneceu sentado em uma mesa acompanhado de uma mulher e outro homem. Pedi então a fita dele e ele informou que descobrira que desde 22 de dezembro de 2010 a filmagem não estava funcionando, o que não me surpreendeu.. Claro que ele sabia que algo de errado havia acontecido, até porque a criança chorou muito. Ele imagina que qualquer pai ficaria revoltado ao ver seu filho sendo maltratado por uma monitora. O filho da proprietária a momento nenhum olhou pra mim (ficava sempre de cabeça baixa), não me pediu desculpas, não fez nada com a moça, não me procurou para explicar o ocorrido, não disse o que aconteceria com a moça e realmente estava dando pouca importância para meu pedido de explicação e providência. Isso muito me revoltou. Havia uma mulher com ele que disse que a criança podia estar aumentando. Ela ainda chamou meu filho pra perguntar o que aconteceu e ele repetiu tudo pra ela e ela tentou mudar as palavras dele perguntando – Mas não foi você que se bateu sozinho??. Para nossa surpresa, ela informou que é médica e estudou psicologia. Estava ela tentando mudar a opinião de uma criança de 3 anos de idade para tentar mudar a nossa atitude?

    PS: Antes de eu sair, já a caminho do carro, o filho da proprietária pediu para eu ter cuidado com que ia fazer, pois eles conheciam muitos advogados.

    Portanto, não recomendamos a pizzaria para ninguém!!! O mínimo que poderia acontecer era recebermos um pedido de desculpas e não ter pessoas tentando manipular uma criança para tentar apagar o que houve. Sinceramente, como mãe e ex cliente, jamais esquecerei!!!

    Por favor, solicitamos que enviem a mensagem para todos que conhecem!!!

    Susan Dutra

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  • 26 de novembro de 2010
    Advertência

    As informações contidas neste site de caráter educativos e não podem, de forma alguma, substituir o papel do médico. Em caso de suspeita de autismo ou de alguma doenças, sugerimos que consulte um médico. Todas as decisões relativas ao tratamento devem ser tomadas pela família com o médico assistente tendo em consideração as características exclusivas de cada paciente. Não tome nenhum medicamento sem o conhecimento do seu médico pois pode ser perigoso para a sua saúde.

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  • 25 de novembro de 2010
    O começo: Um desabafo.

    Este espaço é uma homenagem que faço ao meu filho querido, Ruy Hara Tiradentes, hoje com oito anos de idade. Aqui também pretendo ajudar outras mães, também premiadas por Deus com uma criança mais que especial. Vamos trocar experiências e informações que possam melhorar a qualidade de vida de nossos filhos.

    Este espaço não é só meu. É de todos os amigos que queiram participar deste debate. Envie seu comentário, sua informação, seu artigo, suas fotos para: kiehara@cbnmanaus.com.br

    Este é Ruyzinho, personagem principal deste blog.


    O que é autismo? Não vou escrever sobre isso. Existe muita informação sobre autismo na Internet. Mas vou deixar sugestões de links por onde busco informações.

    Minha pretensão é dividir minha vida como mãe de um menino autista e como diariamente lutamos contra o preconceito, as dificuldades e como no final, com esperança e muito trabalho, sairemos vencedores desta batalha.

    Olho para o Ruy e tenho tanto orgulho dele! Do que ele era e de como ele está. Do diagnóstico até hoje já se passaram 5 anos e posso dizer que existe um antes e um depois! Sei que muito ainda falta.

    Este é Ruyzinho, o personagem principal deste blog.

    Dizem que o Ruy é um menino bom para se trabalhar. Ruy já passou por muitos tratamentos (terapia do abraço, Padovan, T.O’s, fonoaudiólogos, floortime, integração sensorial, etc). Há ocasiões, porém, em que o Ruy tem as suas crises é desesperante. Sinto-me impotente. Mas o tempo vai passando e vou aprendendo a observar as melhores maneiras de fazê-lo se sentir melhor dia-a-dia. Tenho de reconhecer que o saldo é positivo. Quando vejo um sorriso. Quando ouço uma frase. Quando sinto um raciocínio… O Ruy está sendo trabalhado para nosso mundo e está conseguindo integrar-se de uma forma positiva.

     

    Eu sinto que o Ruy está se tornando uma criança Feliz! Faço tudo para contribuir para a harmonia de minha casa e não deixo que o Ruy seja um problema a afetar a felicidade da família: eu, Ruy,  Ronaldo e Ronaldinho. Quanto mais aprofundo este tema, quanto mais informada estou sobre este problema, mais angustiada fico. Apercebo dos grandes problemas e fico com medo. Sinto que neste momento tornei-me uma mãe-medrosa. Algo que nunca fui até agora! Quero só proteger o Ruy de tudo e de todos. De tudo o que o rodeia e o possa colocar em perigo e de todos os que lhe possam causar mal estar. Quando não posso protegê-lo, fico sofrendo até o sentir seguro. Eu sei o que meu filho pensa, eu sei o que ele sente, mas as vezes não sei o que devo fazer por ele. É uma confusão enorme de sentimentos!

    Na escola o Ruy está bem. A escola está fazendo um esforço enorme para que ele se sinta integrado da melhor maneira.

    Toda terapia feita com Ruy é estendida à escola e em casa… E isso deixou excelentes resultados. Os pais da sala do Ruy estão informados sobre a situação e não tenho tido qualquer problema com eles. Os amigos da escola sabem que o Ruy é um menino diferente, e estão sempre a protegê-lo. O que acaba por não criar um mau ambiente na sala. A sua dificuldade de concentração é que desestabiliza o trabalho da sala. Mas o esforço, paciência e dedicação de todos é notório… Basta olhar para o Ruy andando pelos corredores do colégio. Espero que com trabalho, dedicação e interesse da equipe da escola o Ruy consiga seguir várias séries.

    Sonhei várias vezes que o Ruy poderia ter recebido um diagnóstico errado… Hoje nem penso mais nisso só penso em trabalhar as habilidades dele e que isso lhe permita uma vida independente. Engraçado olhar e projetar o futuro, como todas as mães fazem, mas com crianças autistas o caminho a seguir é muito mais complicado e longo. Cada dia é um dia, cada passo é um passo… Mas eu não posso perder esta esperança. Enquanto tenho esta esperança, tenho força para esta luta. Uma luta em que sei que não estou sozinha, apesar de muitas vezes me sentir sozinha e desamparada, mas basta uma noite para recuperar as forças.
    Mas é muito gratificante no final ver a evolução, constatar as diferenças e essencialmente viver e sentir os momentos e emoções, que só estas crianças nos conseguem transmitir. Se por um lado, Ruy que nunca foi agressivo, mas muito indiferente, por outro, consegue dar-nos um amor desinteressado e verdadeiro, capaz de me fazer sorrir, mesmo quando a minha grande vontade é chorar.

    Muitas vezes afirmei: é um privilégio, para mim e para Ronaldo ter tido o Ruy em nossas vidas.  Nossa vida mudou, mas como toda graça de Deus nunca é demais, nasceu o Ronaldinho, nosso segundo filho, que completou em nós tudo o que faltava. Desde que o Ronaldinho nasceu a relação com irmão sofre alterações. Apesar de fazerem quase tudo juntos, como por exemplo:  o almoço, a janta, a escola, a piscina, a pracinha, os brinquedos, dormindo, etc., poucas vezes estão interagindo. Ronaldinho tem o irmão como sua referência, o Ruy passou a ser um modelo de imitação. E se por um lado me sinto feliz com isso, MUITO FELIZ, por outro lado, fico preocupada com alguns disparates que vejo de Ronaldinho: como por exemplo imitar a ecolalia do Ruy. Já o Ruy, por sua vez, se sente como irmão mais velho e protege o Ronaldinho, por exemplo, para ele não cair da cama, é muito engraçado… Mas apesar de não manter muito contato corporal com o Ronaldinho, apesar de não manter um diálogo fraternal com o irmão, Ruy fica observando Ronaldinho o tempo todo de longe e percebe a companhia sempre presente de seu irmãozinho, ele chama o Ronaldinho carinhosamente de maninho, e muitas vezes quando vamos a algum lugar e seu irmão não vai,  ele pergunta pra mim: Cadê o maninho? quando explico que o maninho vai ficar ele entende. Ver isto num menino especial como o Ruy… É uma conquista!

    É impressionante que o nascimento de uma criança especial na minha família me fez dar importância a pequeninas coisas: A uma simples frase, a um simples obrigado, a um simples chuto na bola, pedir para fazer uma corrida, brincar, é capaz de me fazer sentir a melhor mãe do mundo e que estou conseguindo cumprir a minha missão.Como vale a pena continuar, porque sou recompensada da melhor forma que posso ser.

    Quando foi feito o diagnóstico do Ruy. No primeiro momento eu achava que não seria uma coisa muito difícil, pois não sabia nem o que era, mas depois tudo se desmoronou à minha volta.
    Senti um peso e uma dor enorme. A primeira vez que me senti assim, foi quando meu pai foi assassinado, a segunda vez foi quando já casada com Ronaldo brigamos e fui morar com minha mãe, e por último com o diagnóstico de Ruy. Senti uma angustia, uma sensação de frustração, um vazio. Esses foram períodos mais difíceis da minha vida. Estar com o Ruy nas consultas do Dr. Salomão Schwartzman em busca do diagnósticos, ouvir tudo o que me dizia, sem me poupar dos pormenores… A sorte que Ronaldo sempre estava comigo me ajudando a ouvir e a assimilar toda a informação.

    Pelo menos estava tentando, a verdade sempre que entrava na sala do médico ficava igual uma pedra, não via, não ouvia, não sentia, ficava em choque. Muitas vezes os meus pensamentos misturavam-se com as vozes dos médicos! Confusa muitas vezes quis que o médico me dissesse que Ruy não tinha nada, mas isso nunca aconteceu… Apenas foram confirmando o diagnóstico inicial.

    Logo no começo dessa jornada com o Ruy, lembro que quando a vontade de chorar vinha eu tentava segurar porque não queria que o Ruy me visse chorando. Não conseguia… elas teimavam em cair. Na verdade aquelas lágrimas para o Ruy não tinham qualquer significado. Para ele todas as emoções passavam desapercebidas! Era indiferente e inconsciente. Foi muito difícil superar esse período, hoje sinto um orgulho enorme de mim mesma. Estou conseguindo, estamos conseguindo. Tanto é que semana passada eu estava triste e chorei Ruy estava perto de mim… eu achei que ele não se importaria e continuaria  a brincar com seu computador, mas ele se aproximou, limpou meu rosto e sentou do meu lado querendo me consolar, chorei mais ainda, só que o motivo pelo qual comecei a chorar era tão pequeno diante do que eu acabara de presenciar. Essa é mais uma vitória dentre tantas.


    Ruy é muito especial pra mim, ele consegue me ensinar muitas coisas, me mostra a beleza da pequena conquista. O Ruy consegue tirar o melhor de dentro mim e isso deixa-me muito feliz. Com força para continuar esta luta e mostrar a essa nossa sociedade medíocre, que eles têm direitos, pois ocupam o mesmo lugar no espaço como qualquer outro, mostrar que eles precisam ser felizes e para isso não podem ser excluídos! Hoje em homenagem ao meu filho fui trabalhar com uma blusa que diz: Eu amo um autista. Eu mostro o Ruy a todos e falo dele sempre que posso, não tenho vergonha de meu filho e nunca vou escondê-lo do mundo.

    Realmente existem situações desagradáveis. Quando o Ruy tem crises nervosas ele se joga no chão, grita e chora até ficar sem fôlego, já vi meu filho ficar roxo… Reconheço que muitas vezes parece ser um menino malcriado, mas não é! Se prestarmos atenção, em vez de criticar ao primeiro grito que ouvimos daquela criança, conseguimos perceber que não é um menino malcriado, mas sim um menino perturbado e ansioso por algum motivo, mas só entende alguém que passe ou já tenho passado pelo mesmo que nós. A nossa sociedade está muito mal informada e formada para lidar com a diferença. Tudo o que “foge à regra” é considerado anormal!

     

    Mas muito nesta sociedade assusta-me! E não estou falando de pessoas autistas, estou falando do homem que nasceu “normal”, mas com índole má. Muitos “normais” tem uma capacidade enorme de segregar que parecem mais dementes do que qualquer deficiente mental.
    Como posso planejar um futuro pro Ruy, com um Brasil sem oportunidade? Como será a integração do Ruy na escola? Não falo na escola onde se encontra neste momento! Mas as que estão por vir…
    Não faço questão que do Ruy numa Universidade, mas gostava que tivesse mais essa tão sonhada oportunidades que o governo federal grita pelos quatro cantos do Brasil, quase toda noite, nas propagandas do governo, antes do Jornal Nacional. Caso meu filho não freqüente o ensino superior que seja por decisão própria e não por não ter capacidade. Como será o futuro do Ruy? E o futuro de outros autistas com poucas condições financeiras? Terá um colégio estatal capacidade e condições para receber um menino como o Ruy? E como ter certeza que esses autistas serão bem tratado?
    Reconheço que não tenho a melhor das visões das escolas estatais. Hoje vivemos numa sociedade mais evoluída, mas com essa evolução vêm sempre as outras conseqüências desse crescimento. A violência, a agressividade, a insegurança… Como o Estado vai conseguir proteger um autista?

    Como mãe acho importante e essencial para o desenvolvimento do Ruy ser integrado no ensino normal, o contrário também acho fundamental para as crianças que freqüentam o ensino normal conviver com meninos como o Ruy. O Ruy pode aprender com as outras crianças, mas não é só ele que ganha! As crianças aprendem a aceitar a diferença, a respeitar e a ser solidário.

    O Ruy freqüenta uma excelente escola a qual ele ama de paixão, o Laviniense. Lá tem de tudo, esporte, teatro, festas comemorativas, obras sociais, informática, além de um ensino referência, ou seja, uma escola que forma uma pessoa por completo. Mas como todo sistema educacional brasileiro, o Laviniense está tentando sem muito sucesso se enquadrar com uma nem tão recente “Lei da Inclusão”, pecam na falta de planejamento quando se trata de um ensino diferenciado para os autistas. Mas sei que isso acontece em TODAS as escolas de Manaus. Ruy faz uso de uma facilitadora que o acompanha durante toda tarde no colégio, o nome dela é Regina, muito competente e comprometida, detalhe importante, ela é tia do Ruy.

    Ruy faz natação duas vezes na semana, junto com o irmão. A água é o ambiente em que meu filho mais se sente a vontade e feliz. Ele nadou com 2 anos e meio de idade. Ruy faz ainda equoterapia uma vez na semana. Fonoterapia duas vezes na semana com Cláudia de Lucca, aulas pedagógicas particulares com Ivete Ferreira.
    O Ruy está crescendo.

    Este foi meu testemunho de uma vida de entrega e de amor verdadeiro. Daqui pra frente quero compartilhar meus dias a fim de contribuir para o bem estar de outros autistas.

    Ser diferente pode ser uma coisa boa.

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