INDIGNAÇÃO – Tenho um filho autista de 8 anos. Essa semana liguei para uma escola particular perto da minha casa, a escola fica na rua Miguel Ribas, Santo Antonio, e perguntei se eles aceitavam crianças especiais e a moça que me atendeu disse que eles aceitavam sim e pediu para irmos na escola conversar melhor a respeito.
Minha mãe foi na escola e foi recebida muito educadamente, ela explicou toda a situação do meu filho, falou de tudo que ele sabia fazer e do que não sabia, falou de suas limitações e a pedagoga da escola pediu para levarmos ele no outro dia que seria feito uma avaliação com ele.
Levamos ele no dia seguinte a escola, a pedagoga o levou para uma sala com a Orientadora para fazer a bendita avaliação. Depois de 5 minutos ela o trouxe de volta e disse que ia reunir com as demais colegas para decidir se o aceitariam ou não.
Voltei a tarde e a Orientadora que fez a avaliação, junto com a pedagoga e uma professora, praticamente condenaram meu filho, nos poucos 5 minutos ela disse que não podiam aceita-lo pois ele não fez nada do que ela tinha pedido, apenas escreveu seu nome e que estava mais interessado nos desenhos de animais da parede. Que eles não tinham profissionais capacitados, que o meu filho era muito grande para ficar com crianças menores. Eu pude ver e sentir o menor interesse que elas demonstraram.
Ainda teve uma moça, que eu acho que era professora, que teve a audácia de dizer que eles não poderiam abrir uma sala só de crianças especiais pois eles não teriam clientela e assim seria uma perda de tempo para a escola.
O mais absurdo eh que em 5 minutos JULGARAM meu filho, em 5 minutos EXCLUIRAM meu filho.
Não estou aqui para crucificar a escola, estou aqui para que não haja preconceito não so com o meu filho, mais com outros pais e crianças especiais que passam pela mesma situação. Eh muito bonito dizer que eh preciso fazer a inclusão, mais como eh possível se as escolas não fazem a menor questão de fazer acontecer essa inclusão.
Tristeza, decepção, indignação, raiva e falta de esperança – são sentimentos de uma mãe que ama demais seu filho e so quer o melhor para ele.
O quadro “Casa dos Autistas”, acusado de ridicularizar pessoas que sofrem de autismo, ainda está repercutindo dentro da MTV. Marcelo Adnet, que fez o papel de Silvio Santos apresentando a atração do “Comédia MTV”, está muito abalado e nem foi trabalhar ontem. Recaiu sobre ele, o mais conhecido membro do programa, toda a responsabilidade sobre o ocorrido. Ontem, Zico Góes, diretor de programação da MTV, reuniu-se com representantes de entidades em defesa dos autistas. Ficou combinado que a emissora irá investir em ações sociais e vinhetas promocionais sobre o tema. A MTV usará também seu portal para debater sobre o autismo com os jovens.
4 comentariosQuadro do programa Comédia MTV não agradou telespectadores
http://www.marceloadnet.com.br/tv/comedia-mtv-tv/marcelo-adnet-se-desculpa-por-fazer-piada-com-autistas-na-tv
O quadro Casa dos Autistas, do programa Comédia MTV, está dando o que falar. A paródia do extinto reality show Casa dos Artistas (SBT) faz piadas com portadores da disfunção.
Após receber inúmeras críticas e ser acusado de apelar para o humor “politicamente incorreto”, o humorista Marcelo Adnet recorreu ao Twitter e manifestou-se sobre o assunto.
Para uma seguidora, o comediante disse que a ideia do quadro não foi sua.
- Desculpe, sempre fui contra esta cena, mas fui voto vencido. Não escrevi esta cena e não sou o diretor do programa.
Para outra usuária do microblog, Adnet disse que não pode se “responsabilizar sozinho” por algo que não fez.
- Não posso me responsabilizar sozinho por uma cena que não escrevi, não dirigi e sempre fui contra!
Fonte: R7
1 comentariosComo Presidenta da Frente Parlamentar do Congresso Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, aderi ao abaixo assinado contra o programa “Casa dos Autistas” e me coloco à disposição do Movimento de Inclusão Social das Pessoas com Deficiência para facilitar o encaminhamento de qualquer requerimento, representação ou outros encaminhamentos necessários à devida reprimenda desta conduta discriminatória.
Entendo que além da comunicação aos órgãos públicos competentes para as medidas cabíveis,é igualmente importante que seja comunicado o Ministério Público, que além de investigar o caso pode ajuizar ação civil pública com pedido de indenização por danos morais causados à coletividade. Na atualidade, é incabível a veiculação de programas que, com a suposta intenção de divertir, depreciam e ridicularizam a imagem das pessoas com autismo, ou com qualquer outra deficiência.
Comunico, por fim, que o fato foi incluído como ponto de pauta da próxima reunião da Frente Parlamentar, a ser realizada ainda esta semana, e que os deputados e senadores integrantes foram comunicados do ocorrido por email, para que possam se pronunciar, elaborar notas de repúdio e aderir às mais diversas formas de demonstração de reprovação ao fato.
Um bom dia para todos.
Cordialmente.
Rosinha da Adefal
Deputada Federal por Alagoas
Acabamos de sair de uma campanha de conscientização do Autismo, nunca na história do Brasil se falou tanto neste tema, mas infelizmente o povo prefere mixórdia a contribuir com o esclarecimento genuíno e necessário para o público em geral. E o que é pior, esse programa tem a identidade do Brasil. Chega gente! É preciso maturidade. Não tem mais espaço para atitudes como essa, que a meu ver é infantil e imoral. Há tanta mente brilhante… porque só usamos o que sabemos pra fazer o mal?
Há anos que vasculho aplicativos para Ipad e Iphone em português, para ajudar na comunicação do Ruy, mas sabe quantos existem? Nenhum. Por que esse povo perde tempo produzindo esse tipo de programinha de quinta, quando na verdade poderiam estar projetando mídias interativas para os portadores da síndrome de autismo?
6 comentarios
O sociólogo Emir Sader tinha sido indicado para a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa. Entrevista à Folha de S. Paulo publicou que ele teria dito que os problemas estão estourando na mão da ministra Ana de Hollanda “porque ela fica quieta, é meio autista”. Como resultado, sua nomeação foi revertida. Em matéria publicada na Rede Brasil Atual (1) e no seu blog Carta Maior (2), Emir Sader acusou a Folha (3) de querer impedir o pensamento plural e o livre debate. Em artigo provocativo, Elio Gaspari tentou desmoralizar Emir Sader.
Fonte: Blog Crônica Autista
0 comentarios
| FOLHA DE SÃO PAULO | 27/02/2011 – 08h00|
Prestes a ser nomeado para a presidência da Fundação Casa de Rui Barbosa, o sociólogo Emir Sader afirmou em entrevista à Folha que a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, é “meio autista”.
Ao comentar a situação orçamentária do ministério, Sader disse: “Tem o corte, o orçamento é menor, e tem dívidas. Desde março não se repassou nada aos Pontos de Cultura. Teve uma manifestação em Brasília. Está estourando na mão da [ministra] Ana [de Hollanda] porque ela fica quieta, é meio autista”.
Antes de mesmo de ter oficializada sua nomeação, Sader causou polêmica no meio intelectual ao expor seus planos para a “Casa Rui”, como é conhecida a instituição, vinculada ao ministério da Cultura e tradicionalmente voltada para a preservação e o acervo de intelectuais brasileiros, de Rui Barbosa a Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector e Vinicius de Moraes.
Atualmente são 123 os acervos guardados na casa, que também realiza estudos nas áreas de história da cultura, direito e políticas culturais.
Sua intenção é levar para a casa as discussões sobre o que chama de “o Brasil Para Todos”, citando o slogan do governo Lula. Segundo disse à Folha, as pesquisas da casa “não é potencializado, não tem temas de muita transcendência”.
Suas ideias foram prontamente rebatidas por intelectuais, que viram nas propostas sinais de aparelhamento petista, desconhecimento das atividades da casa e desvirtuamento da vocação da instituição, com a adoção de uma linha de pensamento que o crítico literário Luiz Costa Lima chama de “marxismo parnasiano”.
A Ilustríssima deste domingo traz reportagem de Marcelo Bortoloti e Paulo Werneck, com novas declarações de Emir Sader, as reações no meio intelectual e um retrospecto das atividades da Casa Rui.
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/881609-ana-de-hollanda-e-meio-autista-diz-emir-sader.shtml
Fonte : Blog Crônica Autista
0 comentariosSempre me preparo para situações de constrangimento. Mãe de criança especial tem que estar sempre preparada para uma situação inusitada, uma saia justa. Claro, procurando evitá-las ao máximo. Nesta semana fomos levar os filhos para brincar num shopping do Rio. Eles adoram esses parquinhos e espaços kids. Ronaldinho já estava dentro do parquinho com a Luciane e eu estava sozinha com o Ruy, enquanto o Ronaldo vinha atrás com a filha mais velha, a Sanmya. Entrei na área dos guichês segurando meu filho pela mão sem saber direito o que fazer e para onde ir. Não sabia se pagava na entrada ou na saída dos brinquedos.
Acabei entrando na fila errada, a fila de quem já tinha saído do local e iria pagar o tempo de permanência nos brinquedos. Fui para o guichê ao lado, esperei a moça que contava dinheiro olhar pra mim, mas ela só fez apontar para o guichê ao lado, sinalizando que ali era o local certo. Nesta hora Ruyzinho já estava impaciente querendo se soltar de mim, me puxando, forçando para entrar no ambiente infantil. Meu filho já passou por muitas vitórias, mas ainda precisa ser treinado para estar numa fila. Ele esta se tornando um rapazinho e já não tenho tanta força para dominá-lo.
Como era um dia de começo de semana, havia pouca gente para pegar o passe de entrada do espaço kids, vi apenas um pequeno grupo que se amontoava próximo a janelinha da atendente. Eu aguardava ao lado aquele grupo sair para que eu pudesse, enfim, entrar com meu filho para brincar.
Então, escutei um voz masculina a me repreender severamente: “Você tem que ir pra fila. É fila única.” Bom, não me lembro de ter visto aquele homem na hora que chequei, mas o fato é que ele estava na fila e eu estava ao lado. Na mesma hora pensei comigo. “De onde esse cara surgiu?” Logo perguntei pra ele. “Você estava na fila?” Ele respondeu que sim.
Olhei pra ele sorrindo e falei que eu não precisava estar na fila porque eu estava com um filho especial. Afinal, existem leis que possibilitam crianças especiais, idosos e mulheres gestantes a ficarem em locais preferenciais nas filas.
Ele me mostrou sua filha e disse pra mim: “Qual o problema de ficar na fila? Minha filha também é especial. “
Olhei para a filha dele e vi uma menina linda, vestida da cor-de-rosa. No primeiro momento não percebi nada de diferente na criança, até que ela se virou e pude observar o aparelho de ouvido biônico, feito para pessoas com problemas auditivos.
Não satisfeito, o pai da criança mandou mais um desaforo. “Você não tem nada que está falando que seu filho é especial”.
Eu fiquei tão chocada que comecei a chorar. A mãe da menininha, observando a situação vexatória e entendendo minha dificuldade em segurar o Ruyzinho cada vez mais agitado, chegou próximo e passou a mão na cabeça do meu filho, como se estivesse pedindo desculpas pela grosseria do marido. Fiquei com o coração tão partido que sentia dor física em meu peito. Fiquei muito decepcionada com a atitude daquele homem que viu todo meu sufoco, viu o que eu estava passando e não se sensibilizou.
Engraçado, aquele homem que se disse ser pai de uma criança especial, conhecedor das limitações da sua filha, foi incapaz de reconhecer as dificuldades de um semelhante, aliás, que nem é tão semelhante assim, porque eu vi uma criança que com a ajuda de um aparelho auditivo, pode escutar e falar e desempenhar todas as atividades de uma criança “normal”. Vi a menina brincar com outras crianças, enquanto o meu estava só, no mundinho dele. Vi a menina de rosa chamar pelo pai várias vezes. E sabem o que ele fez? Brigou com a criança, pois ela estava perturbando ele. Minutos antes na fila, aquela garotinha esperava tranquilamente conversando com sua mãe, enquanto para conter o meu filho, tinha que segura-lo firme pelo braço para ele não sair correndo, mesmo sabendo que meu filho não gosta de ser tocado, de ser segurado.
Diante da situação humilhante, chorei muito dentro do espaço kids. Não quis contar nada para o Ronaldo que aguardava do lado de fora. Quis evitar que algo mais grave viesse acontecer, uma reação nervosa. À noite, ao ser perguntada pelo que houve, resolvi contar-lhe. Senti muita revolta no meu marido que aconselhou-me: “Tenha sempre uma resposta firme para situações como esta. Prepare uma resposta civilizada, mas enérgica, que possa levar pessoas mal educadas a uma situação de reflexão e arrependimento quando isso voltar a acontecer“.
Afinal, não foi a primeira, nem será a última situação de constrangimento. Infelizmente.
Em respeito a garota não falei nada e guardei a mágoa dentro de mim, numa gaveta chamada ressentimentos. Após escrever este post vou pedir a Deus que perdoe as pessoas que não sabem o que falam, agradecer as famílias que estão em situação melhor que a minha e solicitar grande misericórdia e ajuda divina para as famílias que estão em condições menos favoráveis.
Ficarei devendo fotos do Ruy, pois não tive cabeça para tirar fotos, mas deixo um tira-gosto do irmãozinho do Ruy, o Ronaldinho, que estava com meu braço direito, Luciane, carinhosamente chamada de luluka, pelos garotos.
10 comentarios
Ainda guardo na memória a primeira consulta do Ruy com o Doutor Salomão (Neuropediatra especializado em autismo). Lembro claramente quando ele disse: “O seu filho tem o intelecto preservado, não fale nada sobre ele na frente dele, pois ele entende tudo o que vocês falam. Trate-o como uma criança ‘normal’, imponha os limites e regras claras, ele vai precisar de uma boa fonoaudióloga e de ESCOLA REGULAR.“
Os autistas possuem todas as variáveis possíveis de inteligência, mas nem todos estão aptos à inclusão escolar, que depende de uma série de condições: escola, profissionais e principalmente da capacidade da criança.
Alguns são muito inteligentes ( o que a todos chamam de super dotados) e se dão bem pedagogicamente em escolas regulares, apesar de não conseguirem se socializar, pois não entendem o mundo humano e social, com tendência a se isolarem. Outros vão a escola regular, mas precisam de reforço em escolas especializadas. Mas há também um parte desse grupo que tem sua inteligência tão comprometida que impossibilita a inclusão em escola regular, sendo viável apenas em centros de reabilitação.
Muitas escolas acham estranho o comportamento dos autistas. Mas é importante integrá-los. Há diversas técnicas para eles se sociabilizem e cada uma tem um nível de eficiência de acordo com o perfil psicossocial de cada um. Os autistas devem ser estimulados a desenvolverem todas as atividades, sem discriminação.
6 comentarios